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1º Encontro de Canoístas PR & SP.



Nos dia 5 e 6 de outubro ocorreu na cidade de Guaraqueçaba - PR, o 1º Encontro de Canoístas PR & SP. Canoístas dos dois Estados partiram de Antonina/PR e Cananeia/SP e se encontraram em Guaraqueçaba nesse evento que promete entrar para o calendário da canoagem no Brasil.


O Evento foi organizado pela Ygará Caiaques, West Adventure e Viva Guará Outdoor.

Fui convidado, cerca de 2 meses atrás pelo Mauro Bevilácqua, da Ygará Caiaques para participar do evento. Comprei um caiaque modelo Kayapó da Ygará caiaques em 2012 com o intuito de descer o Rio São Francisco, viagem essa que ainda não saiu do papel.

Como os meus caiaques estão no interior, o Maur

o me pôs em contato com o Vit, que é professor de canoagem em São Paulo e poderia me emprestar um caiaque. Acabou dando tudo certo. Eu dividiria os custos da viagem na caminhonete F1000 do Vit e ele me emprestaria o caiaque.


Saímos de São Paulo no dia 3 de outubro (quinta-feira) com destino ao Ariri, uma vila de pescadores no município de Cananéia/SP. Para chegar no Ariri existem somente 2 meios. De barco ou uma única estrada de terra de 60Km.


Ariri vem de Iriri, que significa ostra em tupi-guarani. A vila recebeu recursos do Governo do Estado de São Paulo para receber as pessoas oriundas do povoado de Ararapira, que passou a pertencer ao Estado do Paraná. A partir daí, o Ariri se desenvolveu mais que Ararapira, onde hoje não vive mais ninguém, apesar de ainda possuir umas casinhas bem cuidadas e ser conhecida como “cidade fantasma”.


No mesmo dia em que chegamos no Ariri, o Nilton “Caratuva”, sua esposa Andreia junto com mais 3 canoístas do Paraná foram nos encontrar e nos guiar até Guaraqueçaba. O Caratuva e a Andréia são de Curitiba mas hoje vivem em Guaraqueçaba e trabalham com turismo de aventura. Pedal, trilhas e canoagem pela região são alguns serviços que a empresa deles, Viva Guará Outdoor tem a oferecer aos turistas que visitam aquela região.


No dia 4 de outubro (sexta-feira) saímos as 9h da manhã com destino a Guaraqueçaba, 40Km de distância. Éramos 10 canoístas. Meu parceiro de remada foi o René, amigo do Mauro de Piedade. Fomos em um Marajó Oceânico duplo da Ygará. Barco muito estável e com grande capacidade de carga.


O céu estava claro e a remada rendeu bastante. Passamos o canal do Varadouro, aberto na década de 50 para facilitar o comércio entre Paranaguá e Cananéia. Do Ariri, são 18 Km até à Vila de Fátima, já no lado paranaense. Lá paramos para almoçar na casa do Sr. Aníbal. Eu não esperava um almoço tão farto. Ostra e vários tipos de peixe, incluindo arraia e baiacu, que eu nunca tinha comido. Tudo pescado na região. Quase que eu não consegui remar depois de tanto que comi.


Seguimos viagem. Naquele momento comecei a sentir dor nas costas, de ficar tanto tempo sentado na mesma posição. Não havia me preparado fisicamente para essa viagem.

Passamos em frente à Vila de Tibicanga e uma hora e meia depois chegamos em Guaraqueçaba, após atravessarmos um canal que os locais costumam chamar de “furado”. Nesse trecho, passamos por locais que voltarei para conhecer, com certeza. Segundo o Caratuva, ali há uma vila chamada Sebuí, onde tem umas trilhas e uma das cachoeiras mais bonitas da região. Há também um sambaqui, que não tivemos tempo de conhecer.


Em Guaraqueçaba nos hospedamos em uma pousada bem aconchegante, que seria a base de todos os canoístas que participariam do encontro. Lá já nos esperava o Sr. Rogério e a Sra. Bernadete, casal de canoístas que fizeram questão de participar do encontro, apesar do Sr. Rogério não poder remar, pois ainda se recupera de uma cirurgia.


A noite, fomos ao centro jantar e prestigiar a “Festa do Fandango”, uma festa folclórica da região. O Fandango canta as tradições da cultura caiçara. É um orgulho para as vilas verem suas tradições cantadas sendo transmitidas de geração para geração. Experimentamos também a cachaça feita com cataia, uma planta que só é encontrada ali na região. Tem também uma cerveja feita de cataia, que só é comercializada na Mercearia Rodrigues, em Garaqueçaba, embora seja produzida em Morretes/PR.


No dia 5 de outubro (sábado) fomos encontrar os canoístas que haviam saído de Antonina/PR na Ilha Rasa. São 11Km de distância de Guaraqueçaba até a Ilha Rasa. Esse grupo que saiu de Antonina/PR estava sob a liderança do Marcão de Curitiba, terceiro organizador do evento, com a West Adventure. Retornando da Ilha Rasa, pegamos um vento gostoso e uma marola que deu um pouco mais de emoção à viagem. Prefiro remar quando tem ondas. O balanço do barco torna a remada menos monótona.


Chegando em Guaraqueçaba, encontramos, ainda na água, um grupo de 6 canoístas que haviam saído de Cananéia no mesmo dia que nós. Cananéia dista 40 Km do Ariri. Ou seja, eles remaram cerca de 80 Km em 2 dias. Colocamos todos os 20 caiaques que participaram do encontro na praça central de Guaraqueçaba e registramos o momento. Foi a coisa mais linda ver todos aqueles caiaques um do lado do outro! Espero que esse encontro se repita por muitos e muitos anos!


A noite teve um jantar de confraternização. Houve discurso dos organizadores e sorteio de brindes. Ganhei um livro escrito pelo Sr. Rogério, onde ele conta a saga dele e de sua esposa em descer o Rio Iguaçu, no Paraná a bordo de 2 caiaques. Estou ansioso para começar a ler! Além disso, cada participante do encontro ganhou um troféu de recordação do evento, cedido pelos organizadores.


No dia 6 de outubro (domingo) descansamos. Houve um almoço num restaurante no centro da cidade e muita troca de experiências. O tempo virou. Nossa volta pra casa seria debaixo de chuva.


No dia 7 (segunda-feira), começamos a remar de volta pro Ariri. Mais 40 Km a serem remados debaixo de chuva. A remada rendeu mais do que na vinda, por 2 motivos. 1) estávamos em um grupo menor; e 2) não estava tão quente. Não parei pra tomar água nenhuma vez, a não ser na hora do almoço na Vila de Fátima.


O pessoal que veio de Antonina/PR saiu mais cedo com chuva e uma visibilidade que não passava de 200 metros. A neblina em dias ruins pode ser perigosa, principalmente para quem não conhece a região ou está sem GPS. Foi nessa região que o navegador americano Joshua Slocum naufragou e, sem recursos a não ser um machado que conseguiu salvar do naufrágio, construiu um barco chamado liberdade e retornou junto com a família para os EUA.

Os 6 remadores que saíram de Cananéia seguiram junto com o pessoal que saiu do Paraná até Antonina.

Chegamos no Ariri por volta das 17hs. Colocamos os barcos na pousada e fomos descansar. A noite fomos tomar uma merecida cerveja e comemorar o sucesso da expedição.


O Ariri é muito procurado por pescadores. Há muita fartura e variedade de peixes na região. Eu mesmo já conhecia, pois tinha ido há alguns anos com o meu tio Caio pescar lá. É um distrito de Cananéia com uma população estimada em 650 pessoas. Criminalidade praticamente não há. As crianças vem de outras localidades estudar de barco. As comunidades mais próximas são Marujá, na Ilha do Cardoso e Vila de Fátima, já pertencente ao município de Guaraqueçaba/PR.


No dia 8 de outubro (terça-feira) Vit e eu retornamos para São Paulo. Pudemos, dessa vez, apreciar a estrada de terra, e tivemos a sorte de encontrar uma bela Caninana, cobra sem veneno, mas muito agressiva, se provocada.


Chegamos em São Paulo por volta das 19hs. Foi uma baita viagem onde pude conhecer pessoas que assim como eu gostam de aventura e contato com a natureza. Até o 2º Encontro de Canoístas PR & SP!




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